Já não há estrela no céu

Dor de cabeça. Acendo mais um cigarro.

Fritos ao jantar é sempre má ideia. Tenho a cabeça e o estômago a latejar. Não consigo vomitar nada a não ser palavras. Não prometo que façam sentido.

Dá para ver uma estrela de onde estou sentada, nem tenho que esticar muito o pescoço. Ou talvez seja só mais um avião. Ou uma estrela cadente. Mas não me apetece desejar nada. Dá muito trabalho tentar raciocinar. Já agora, nunca percebi porque é que o Aladino, quando recebeu três desejos, não pediu desejos infinitos. Pensar em desejos como deve de ser dá trabalho a mais. E eu sou comodista.

Pronto é isso. Não há mais nada a dizer.

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Palavras & Bestas

Eu.

Eu não tenho nada de novo para dar ao mundo. Talvez ele tenha algo para me dar a mim ainda. Espero que sim, é o que ainda nos faz viver a todos, afinal. Talvez corramos atrás de uma utopia. Quem sabe.

Eu não tenho nada de bonito para dizer ao mundo. Nem feio. Nada. Eu não tenho palavras a soltar ao vento. Não quereria que se perdessem mesmo que as tivesse, ficariam bem guardadas aqui. Mas estou vazia. Seca de palavras. De palavras que toquem, pelo menos. Gosto dessas. Palavras que nos tocam. As palavras que nos abanam também, mas tenho medo delas às vezes. E das que nos empurram para baixo. Essas as vezes arrepiam-me. Mas ao memso tempo que me empurram, seguram-me. Não me largam, prendem. E magoam, sim. Mas tudo no mundo parece ser assim. Até os seres humanos. Gosto mais de me referir a estes como bestas humanas. Bestas que ao mesmo tempo são o mais terrível e o mais belo da existência.

Eu sou só mais uma.