Blackout.

Cinco minutos e ois cigarros depois, uma viagem pelos subterrâneos da cidade que muda e nos muda a nós, tudo se mantém e muda também de uma certa forma.Pelo menos dentro da carcaça do palhaço. Por detrás da máscara do palhaço. A maquilhagem estala, por debaixo a verdade mentirosa, a ilusão, já não sei o que é real e o que não é. É a verdade ou a ilusão que se estiçhaça no espelho? Ou o espelho? Ou o mundo à volta? O mundo que muda, a cidade, o palhaço vai-se embora.Mas está cá na mesma. Riso insuportável, mantém-se e o resto parece mutar-se. E as dúvidas surgem de novo, as mesmas, nem a relidade mutada muda a dúvida por detrás, na máscara, na carcaça do palhaço. Não faz sentido, mas o palhaço ri na mesma e dói por se fazer sentir a mentira à sua volta. E a materialização da dúvida que também lhe pertence. Mais um cigarro. E a caneta parte-se, não que escrever mais palhaçadas.Mas nada o demove senão a dúvida que lhe corrói a máscara.Três cigarros e dez minutos depois. O palhaço gostava de ser como a Blimunda e ver as pessoas por dentro. Reencontrar a fé nas coisas e o destino como a Frankie. Viver a sua vida como a Nana. Mas é um palhaço, e não há nada a fazer.