merci.

é tudo o que precisamos. mais nada, nada menos, sentir o oxigénio massajar-te a planta do pé, e uma felicidade que te vem de dentro, das entranhas, uma felicidade tão intestinal como esta espécie de conhecimnto mútuo, de reconhecimento. é comer maçãs matinais envolvidos no calor das tardes de verão

e orgulhosamente assumimo-nos como loucos e sonhadores. e realistas inconformistas. e alimentamos pequenas fantasias a palavras, café, cigarros e gargalhadas.

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como as pedras da calçada.

Os pés já conhecem o caminho sem terem de ser guiados. As pedras da calçada continuam iguais a si mesmas, por mais estações que tenham passado. As janelas, umas abertas e outras fechadas, um por outro pormenor de que me fui apercebendo pelo canto do olho mudou, mas não olhei mais, prefiro a rua que ainda vive em mim.

Passei pela porta e continuei a andar. Tinha vindo até aqui sem pensar muito no assunto, pensei talvez que ainda estivesses ali. A cabeça prega partidas destas ao coração. Ou talvez o contrário. Juro que te senti sorrir,juro que senti cada linha do teu rosto a esperguiçar-se ao sol. É isto que lembro de ti. E os sapatos de atilhos castanhos lado-a-lado com a bengala de madeira gasta. E os olhos que sorriam também quando o resto já não te obedecia. As palavras eram raras ali.

E uma mancha negra abana a cauda num canto da estrada, e tu sorrias e dizias “anda cá”, atiravas um bafo de fumo de cachimbo ao ar e o fiel escudeiro juntava-se a ti nas escadinhas da entrada.