ar que massaja narinas e ouvidos, em ondas, vai e vem, e narizes ao vento, e ondas de som que magoam mais do que massajam quando mãos ferrugentas passam por cordas esticadas, tripas, já o foram, agora já não, e arcos frouxos, e cerdas que se esmagam de encontro às cordas, nuvens de pó de resina que se acumulam nos narizes, nas narinas, em pêlos dentro das narinas, por cima da madeira, ao lado do cavalete que se parte quando não deve.

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acordei sem te acordar depois de um dia em branco

ou noite, ou lá o que era, cortinas tapam quase tudo. E lençóis vazios, quentes só d mim, que se confudem contigo quando não estás, e querer abraçar ar, e ele que foge, e não beija, não nada, nem sequer cheira a ti.

oh muriel, cala o bico!

Uma vez pensei, mas afinal eram só os efeitos secundários de chapéus invisíveis em cabeças deslocadas e musas verdes em garrafas baças. Haviam escadas e escadas e escadas de metro e escadas que não iam dar a lado nenhum e nem sequer as subi por saber a facilidade com que se tropeça em escadas e escadas e mais escadas que não acabam no que quer que seja.

Chamei as musas azuis, uma noite daquelas, chamei-as e apareceu outra, rosa, e cantámos com vozes emprestadas, e cantámos os blues, porque sabíamos as duas. Sabíamos e preferímos cantar debaixo de olhos castanhos verdes azuis amarelos e ignorar o olhar. Ignorámos e cantámos, afogámo-nos em álcool e nas nossas vozes emprestadas do outro, aquele do piano, da cerveja.

Musas e tusas, e reflexos de luz e de loucura pelas ruas da Merdalheira

rosebud.

Ensinei-me o ritmo de conta-gotas na ponta dos dedos das mãos impacientes, dos pés que vão marcando este ritmo no soalho de madeira.

Relógios, que passam a vida a ser amaldiçoados. Horas, minutos, segundos, ora correm, ora se arrastam, ora nos perdemos neles, ora a consciência da sua existência se torna um peso morto em cima de cabeças que deambulam por aí, que se passeiam, e exibem os adornos do vazio do seu interior. Vaidades, realidades pessoais que se aproximam e afastam umas das outras, realidades ou fantasias, sejam estas reconhecidas ou não como tal.

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“-If you could’ve found out what Rosebud meant, I bet that would’ve explained everything. ”
“-No, I don’t think so; no. Mr. Kane was a man who got everything he wanted and then lost it. Maybe Rosebud was something he couldn’t get, or something he lost. Anyway, it wouldn’t have explained anything… I don’t think any word can explain a man’s life. No, I guess Rosebud is just a… piece in a jigsaw puzzle… a missing piece.”