olha o fatalismo.

Era qualquer coisa de estranho, sem o ser. Movimentos repetidos ad infinitum noutro tempo, noutro lugar. Que sensação de déja vu, que confusão de realidades. Um meio sonho acordado em que o corpo responde sozinho ao mundo exterior, sem necessidade de ser guiado conscientemente, um quase instinto qualquer que aflora. Ressurge quando menos se espera, ou quando se espera mas se pensa que não virá. É como se tempo nenhum se tivesse passado, e ainda assim tudo é diferente. É uma confusão de memória e do agora. Mudam factores e o resultado é o mesmo. Ou não. Mas assemelha-se, de uma forma ou de outra.

a inveja

Quando eu era pequenina tinha inveja de não receber correio. Queria porque queria receber uma carta, só minha. Achava que era uma grande injustiça. Todos lá em casa recebiam qualquer coisa, e ainda se davam ao luxo de fazer cara feia para o papel que tinham nas mãos. Até os senhores da luz e do banco se lembravam todos os meses deles!  Sonhava com o dia em que alguém se lembrasse de mim e me deixasse uma ou duas linhas de palavras, palavras que me enchessem o dia e me fizessem sair dali só por um bocadinho. E nada. Nada de viagens imediatas ao mundo de outrém numa folha de papel.

Grilo

oh caramba, carambinha, carambola.

Como de costume, cá estou eu tarde e a más horas. E com as minhas tretas pouco interessantes do costume. Mas é assim. Pronto.

(e a rebentar pelas costuras. De quê, nem eu sei bem. Parece-me que estou em negação.)

Preciso de umas boas auto-bofetadas, para ver se acordo. Acho que isto, esta treta de blog que para aqui vou mantendo,serve para algo como isso. preciso de ouvir umas quantas verdades de mim mesma. Parar de tapar ou ouvidos e cantarolar para calar aquela vozinha-consciência, a la Grilo falante.